Este artigo é em resposta a um artigo que saiu no Digital do Globo de 05/01/2009 de André Kischinevsky diretor do Infnet. “Lembraremo-nos dos livros com o carinho de uma antiga amizade sem mais espaço em nossa vida”, citação do André Kischinevsky. Acho engraçado os que se pronuncia quase que como “profetas da tecnologia” predizerem um futuro incerto para algo tão comum, útil e arraigado culturalmente em nossa sociedade como o livro.
Também dizer que o livro tem uma história cheia de méritos, mas nenhum futuro é no mínimo cômico. Vejamos historicamente desde que o homem é homem registra sua própria história e cultura em livros, começando das pedras, e após algumas centenas ou milhares de anos papiros até a invenção da imprensa por Gutemberg. Se os quase 7 bilhões de habitantes do planeta tivessem acesso a tecnologia como um todo e de forma homogênea não discordaria desta previsão, pois rapidamente haveria uma disseminação tal de tecnologia que hoje praticamente todos nós nem teríamos livros em nossas estantes. E sim que faríamos leituras digitais em todos os lugares.
Mas vejamos destes 7 bilhões de habitantes boa parte, talvez uns 30 a 40% talvez nunca tenha sentado na frente de um computador e digitado uma linha sequer em um processador de texto que os escritores escrevem seus livros atualmente como dizia o André do Infnet, quanto mais ler um livro digital. Eu por exemplo não sou resistente a idéia do livro digital como geek que sou, agora quem nunca sequer chegou na frente de um micro para ler alguma coisa, nem resistente pode ser, pois não foi incluído digitalmente, é um analfabeto digital, então por muito, muito tempo (leia tempo indefinido) o livro terá seu papel garantido na sociedade como um todo, como acesso principal ao conhecimento difundido por séculos para educação pessoal e como porta de abertura ao conhecimento.
Computadores não cumprem seu papel integral na sociedade atual como difusores de conhecimento acessível a todos, coisa que os livros fazem e fizeram por centenas de anos com maestria. O livro não precisa ser reinventado, precisa apenas ser acessível a todos os cidadãos, a cultura, o conhecimento, a razão, o aprendizado não está preso ao meio digital e nunca estará, posso neste momento pegar um pedaço de papel e escrever um poema e ser lido apenas por um amigo. O futuro do livro não é eletrônico pois o digital não significa conhecimento puro e traduzido, é apenas um meio, e o meio papel é significativo em vários aspectos a uma pessoa, o papel traz o sentido do toque, do manusear, do colorir para crianças, e do fantasiar, o papel traz e trará por muito tempo o especial, que o computador na maioria das vezes carece, a tradução de sentimentos ao ler um livro especial não é a mesma ao ler um livro digital, sei que isto é pessoal, mas não é apenas eu que penso assim, já ouvi está previsão há muito tempo da morte dos livros, e eles continuam sendo e sempre serão os compartilhadores do conhecimento e cultura em nossa e outras sociedades. E não há apenas a questão da preferência, uma tribo de índios da Amazônia sendo alfabetizado teria infraestrutura para ter acesso a um livro digital? E no interior do sertão e da caatinga do Brasil onde falta professores? Haveria futuro para o livro eletrônico se todo o mundo (quase 7 bilhões de pessoas) tivesse acesso a tecnologia mínima digital, como sei que isto nunca vai acontecer, não vejo futuro para o livro eletrônico. Estamos tão perto assim desta tecnologia se há excluídos digitais em todo o mundo?!











Apesar de todos os problemas ambientais, e a chegada definitiva da tecnologia em nossas vidas, não há nada mais prazeroso do que abrir um livro sentir aquele cheirinho e ler…
Adoro de paixão, e não acredito que os livros de papel esteja com os dias contados não
viva o livro
\o/
\o/