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A origem da discórdia é sempre a mesma e tem quase cinco anos. Em Setembro de 2003, Edward Tufte, da universidade de Yale, publicou na revista Wired o polêmico texto PowerPoint Is Evil, cuja síntese era a de que “o poder corrompe e o PowerPoint corrompe totalmente” (a frase é de Vint Cerf, um dos criadores da Internet).
A crítica de Tufte apontava que os milhões de slides do programa da Microsoft usados por empresas, governos e escolas criavam um domínio, um impacto totalitário, do apresentador (speaker) sobre a audiência. Cerf alinhava no mesmo pensamento: “as pessoas têm de ouvir em vez de se distraírem com bonitos gráficos em PowerPoint”.
Tufte criticava a adopção do PowerPoint nas escolas, um “estilo cognitivo” em que as crianças são ensinadas a formular pequenas frases de tipo publicitário, num “estilo” que banaliza os conteúdos em apresentações sérias e compara-o a “peças num teatro escolar - muito alto, muito devagar e muito simples”. Para o autor de The Cognitive Style of PowerPoint, o programa, “em vez de complementar uma apresentação, tornou-se um substituto da mesma”. Mas a ideia principal de uma reunião ou conferência “é a partilha de informação e de ideias”, pelo que “o elemento visual é secundário”, salientava Sue Johnston (fundadora da empresa It’s Understood), que num reduzido inquérito a 20 pessoas notou que este tipo de apresentação era útil para apreender informação técnica ou gráficos.
Apesar das críticas, houve também quem aproveitasse as suas potencialidades de forma criativa. David Byrne, compositor e líder da banda Talking Heads, tentou demonstrar a banalidade no uso desta ferramenta mas o resultado foi diferente, explicado no livro e DVD Envisioning Emotional Epistemological Information.
Fácil de aprender, “dentro de certos parâmetros limitados”, o “fantástico é que foi concebido para ser usado por qualquer idiota”, refere Byrne, que dominou o uso do PowerPoint “em poucas horas e é essa a ideia”.
Este programa generalizado nas apresentações é um melhoramento do Presenter, criado em 1987 pela empresa Forethought e adquirido pela Microsoft nesse ano, cuja primeira versão surgiu para os sistemas operativos Macintosh e DOS (o Windows só viria mais tarde).
fonte: DN Online
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